Importante programa de biocombustíveis, RenovaBio é tema na Rio Oil & Gas

Nesta terça-feira (25), a Plural, representada pelo seu presidente executivo, Leonardo Gadotti (foto), participou, na Rio Oil & Gás, do painel de debate Desafios para implementação do RenovaBio e sua integração com os demais programas governamentais. Mediado por Aurélio Amaral, diretor da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o encontro contou ainda com a presença de Antonio de Pádua Rodrigues, diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica); e de Guilherme França, gerente executivo de Marketing e Comercialização da Petrobras.

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Criado em 2016 pelo governo federal, o RenovaBio é um programa que visa a traçar uma estratégia conjunta para reconhecer o papel estratégico de todos os tipos de biocombustíveis na matriz energética brasileira, tanto para a segurança energética quanto para a redução de emissões de gases causadores do efeito estufa. Antonio de Pádua Rodrigues abriu o debate, destacando as vantagens do programa, como o ganho da nova receita gerada pela venda do Cbio (Crédito de Descarbonização por Biocombustíveis), e os desafios para torná-lo realidade.

“O Cbio é um ativo financeiro que aumenta a eficiência e a produtividade e diminui o custo de produção. Sem dúvida, há desafios, já que hoje temos uma capacidade limitada de investimentos. Tivemos mais de 80 unidades fechadas e outras em recuperação, um setor que tem um endividamento médio superior ao seu faturamento. Isso tudo tem que ser revertido em algum momento. E as empresas precisarão ter mais controle de suas atividades produtivas, o que é exigido pelo processo de certificação. Além disso, precisamos consolidar novas tecnologias”, explicou o diretor.

Investimentos para o RenovaBio

Em seguida, Leonardo Gadotti apontou em sua apresentação as alavancas que seriam necessárias para impulsionar o RenovaBio, como investimentos em infraestrutura, aprimoramento regulatório, melhoria do ambiente concorrencial (com destaque à simplificação do modelo tributário), e mais controle e fiscalização. O presidente da Plural ressaltou, ainda, a complexidade do mercado de downstream e a necessidade de aprimoramento para atrair novos investidores.

“Não sabemos o que vem a partir do próximo ano. Seja quem for (para a presidência do país), o RenovaBio é um programa importante. Além disso, quando se fala em distribuição, precisamos de investimento, novos players no mercado. Não é qualquer um que chega e abre uma refinaria, não é assim que esse negócio funciona. Temos meia dúzia de companhias no mundo por uma razão só: esse não é um negócio para amadores. Para atrair investimentos, temos que garantir boa regulação, imposto pago e gente capaz de administrar”, frisou Gadotti.

Na visão do representante da Petrobras, Guilherme França, o Brasil possui posição privilegiada no mundo em relação à disponibilidade de recursos energéticos, e o sucesso do RenovaBio passa por uma política energética adequada a esses recursos.

França destacou, também, a necessidade de aprimoramento do RenovaCalc, calculadora desenvolvida pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) com o objetivo de comprovar o desempenho ambiental da produção de biocombustíveis pelas usinas; e a necessidade de compatibilizar o programa Combustível Brasil, que busca tornar o mercado de combustíveis adequado à demanda, com o RenovaBio.

Texto e foto por Alessandra de Paula