Bia Figueiredo, piloto de Stock Car, fala sobre educação no trânsito - Combustível Legal
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Bia Figueiredo, piloto de Stock Car, fala sobre educação no trânsito

Publicado em 05/10/2018 por Alessandra de Paula

“Mulher ao volante, perigo constante”, quer frase mais machista que essa?!? Pois os números mostram que as mulheres dirigem melhor do que os homens! De acordo com o Infosiga SP, que recebe e apura dados baseados nos boletins e registros da Polícia Civil e da Polícia Rodoviária Federal do estado de São Paulo, em 2017, apenas 6,4% dos condutores envolvidos em acidentes graves eram mulheres, contra 93,1% do sexo masculino. Não há qualquer diferença biológica que torne os homens mais aptos a dirigir que as mulheres (veja a reportagem completa https://revistaautoesporte.globo.com/Noticias/noticia/2018/09/mulheres-ao-volante-estatisticas-indicam-que-elas-dirigem-melhor.html).

Para falar sobre o tema, nada melhor do que conversar com uma mulher experiente ao volante. O Movimento Combustível Legal ouviu a piloto Bia Figueiredo, primeira brasileira a correr em uma categoria top do automobilismo mundial, a Fórmula Indy. Ela coleciona vitórias: foi a primeira mulher do mundo a vencer na Firestone Indy Lights; a única a vencer na Fórmula Renault; a única a conquistar uma pole position na Fórmula 3; e a única a disputar e a vencer no Desafio das Estrelas, torneio anual de kart organizado pelo piloto Felipe Massa. Para chegar ao topo do pódio, ela teve que vencer também outra batalha: o preconceito.

“A gente cresceu ouvindo essas coisas de que mulher não sabe dirigir, é até traumático para algumas mulheres quando vão dirigir, pois já acham que será um desastre. Desde pequena, eu adoro carros e assistia às corridas pela TV. Meu pai me levou para ver uma corrida de kart e fiquei enlouquecida. Sofri muito preconceito das próprias mulheres, algumas mães dos meninos, quando comecei a correr no kart. Eu me sentia uma aberração. Acho que isso mudou muito, felizmente, até pelos resultados conquistados”, ressalta Bia, que atualmente está na categoria Stock Car, disputando com 33 pilotos, todos homens. Em 2019, ela comemora dez anos de parceria com a Ipiranga, sua patrocinadora.

 

Mais educação no trânsito

Para Bia, são raras as mulheres apaixonadas por dirigir profissionalmente, assim como ela. Entretanto, no dia a dia, a piloto destaca que o público feminino é mais correto no trânsito. “As mulheres dirigem super bem. Acho que muitas pessoas se transformam ao volante, ficam mais agressivas, geralmente homens, fico até impressionada. O trânsito é uma aula de educação, de sociedade, tem que conviver com pedestre, ciclista… Eu ando muito de bicicleta. É horrível quando o carro acelera em cima de você. Tem gente que vê o sinal amarelo e acelera, não pensa no outro lado”, lamenta a piloto.

Justamente pensando em promover mais educação no trânsito, Bia dá aulas de direção preventiva. Ao lado dos pilotos Beto Gresse e Rodrigo Hanashiro, ela promove o curso Drive Training (https://www.cursodrivetraining.com.br/). “Nosso foco é corporativo, acabamos de treinar 300 condutores da empresa Philips Morris. Sabemos que há um prazo para atender os clientes, fazer entregas, porém, a vida é mais importante”, destaca.

Pensando exclusivamente nas mulheres, Bia criou também o Women Drive Training. “Damos algumas orientações específicas para as mulheres, como não dirigir de salto alto; não se maquiar enquanto está dirigindo; saber onde colocar a bolsa, já que, em caso de acidente, ela pode machucá-la; não usar celular…”, explica.

Completando 25 anos de carreira em 2018, a piloto relembra com carinho de sua trajetória, iniciada aos oito anos de idade. “Minha primeira vitória foi em Itu, São Paulo, foi toda a família para o pódio. Lembro bem do ano, 1994. Ayrton Senna, que era meu ídolo, faleceu três meses depois de eu começar a correr. Ficamos todos chocados, mas eu segui firme. Tenho orgulho de ter quebrado barreiras – a gente pode fazer o que quiser!”, completa.

Por Alessandra de Paula