Motor

Como evitar situações prejudiciais ao motor e ao combustível do seu veículo

Publicado em 12/07/2019 por Antonio Carlos Teixeira

Assim como você, motorista, o carro também sofre desgastes durante um engarrafamento. Se trafegar por vias congestionadas faz parte da sua rotina, saiba que esse tipo de cenário submete o seu veículo ao que é conhecido como “condição severa”. Essa expressão diz respeito a situações que os veículos enfrentam e que podem provocar algum tipo de problema, ou mau funcionamento, devido ao seu uso inapropriado. O Combustível Legal levantou alguns tipos de condições severas, suas consequências para os veículos e dicas para evitar possíveis danos.

Enfrentar constantemente engarrafamentos

A gerente de Marketing da Mobil, Roberta Maia, avalia que o “para e anda” causado pelo trânsito intenso das cidades é o principal exemplo de condição severa, que intensifica a utilização das marchas mais lentas e o liga e desliga do motor (no caso dos carros que possuem a função start-stop, por exemplo). Em tal condição, se repetida com frequência, ocorre o desgaste prematuro – ou severo! – em algumas peças, como pastilhas de freio, embreagem e câmbio, que são acionados muito mais vezes do que em condições normais. Caso tenha que enfrentar trânsitos lentos diariamente, a orientação é que evite descansar o pé no pedal da embreagem para não acelerar o desgaste prematuro do sistema; acione apenas quando for deslocar o veículo.

Rafael Ferreira Ribeiro, membro do Comitê Técnico da Associação Brasileira dos Fabricantes de Aditivos (Abrafa), lembra que quando estamos parados em um engarrafamento, o motor se mantém trabalhando. “Nestes casos, considera-se que temos uma operação mais severa do carro, no qual o fator de funcionamento do motor por quilômetro é maior”, analisa. Ou seja, caso o veículo seja constantemente exposto a congestionamentos, o motor tende a funcionar muito tempo com o carro parado, o que pode distorcer a informação da quilometragem vinda do hodômetro.

Carro sem uso por muito tempo

Não usar o carro por muito tempo pode ser considerada uma condição severa? Para Franck Turkovics, responsável por Inovação de Powertrain do Groupe PSA, a resposta a essa pergunta depende de quanto tempo o veículo vai ficar parado. Segundo ele, não usar o carro por mais de um mês pode trazer consequências negativas para o veículo, como, por exemplo, a oxidação do combustível (Confira quanto tempo a gasolina pode ficar no tanque em https://www.combustivellegal.com.br/carro-parado-ha-muito-tempo-veja-quanto-tempo-a-gasolina-pode-ficar-no-tanque/). “É importante fazer o motor funcionar e usar o combustível para que não fique parado no tanque”, orienta Turkovics.

Veículo exposto ao tempo

Turkovics diz que é preciso ter cuidado, também, para evitar outras práticas associadas a condições severas que podem igualmente prejudicar o desempenho do carro, como, por exemplo, deixá-lo por muito tempo em ambientes com muita poeira, sob a ação do tempo, ou em exposição direta e constante à luz do sol. “Ambientes muito quentes aceleram o processo de oxidação e deterioração do combustível”, ressalta. Deixar o carro exposto em ambientes externos, de acordo com o executivo do Groupe PSA, compromete não apenas o combustível, como colabora na aceleração do processo de oxidação do óleo lubrificante, podendo, também, danificar a bateria do veículo, impossibilitando, dependendo do período em que o carro ficar parado, a partida do motor.

Utilizar o carro por distâncias curtas

Você pode estar expondo o seu carro a uma condição severa caso a sua rotina diária seja dirigir de cinco a dez minutos (menos de 20 km) até o seu local de trabalho, ou a escola do seu filho, por exemplo, e deixar o carro estacionado durante boa parte do dia. Nestes casos, é provável que o motor esteja trabalhando “frio”, ou seja, não está sendo submetido a um tempo suficiente para atingir a sua temperatura ideal de operação. A exposição constante, ou diária, a essa condição provoca desgastes em vários de seus componentes, como o óleo do cárter, que não aquece o suficiente para queimar os gases da combustão que o contaminam e prejudicam sua eficiência.

É preciso ter atenção se o carro for flex, preferivelmente abastecido com etanol e com baixa quilometragem diária. Com o motor sempre trabalhando a frio, sem atingir o seu aquecimento ideal, a injeção eletrônica é obrigada a aumentar a dosagem de etanol (comparada com a da gasolina) para fazê-lo funcionar em temperaturas mais baixas. Nessas condições, o etanol tem a sua capacidade de evaporação prejudicada, fazendo com que esse combustível permaneça mais tempo no cárter do que o necessário.

Exposição à poeira e ao sobrepeso

Roberta Maia acrescenta outras condições severas que devem ser evitadas, como utilizar rotineiramente o carro com sobrepeso. A sobrecarga pode afetar pneus (causando deformações, como bolhas, e diminuindo a sua vida útil), freios (o sobrepeso exige mais do sistema, ocasionando desgaste prematuro e acelerado de pastilhas, tambor e lona), suspensão (provocando desgaste acentuado e exigindo mais do amortecedor e das molas), óleo lubrificante (aumentando o consumo para suprir a exigência do motor nessas condições), além de elevar o consumo de combustível.

A especialista da Mobil observa ainda que a exposição frequente do veículo a estradas de terra também é considerada uma condição severa. A poeira existente em ambientes como esse favorece, por exemplo, o acúmulo de sujeira no filtro de ar. Caso seja necessário, é importante verificar essa peça constantemente.

Para o especialista do Groupe PSA, as situações que provocam estresse no veículo e comprometem o seu desempenho – além de trazer prejuízos ao proprietário – são minimizadas se as recomendações do fabricante, constantes no manual do carro, forem seguidas à risca. “É muito importante que os prazos para trocas de óleo, filtros e demais componentes do motor sejam respeitados”, orienta Turkovics.