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Conheça a importância do densímetro contra a adulteração da nova gasolina e o passo a passo de como utilizá-lo ao abastecer

Publicado em 04/09/2020 por Jean Souza

O Brasil iniciou em agosto a venda de uma nova gasolina, com especificações definidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Com as modificações na composição do combustível, os consumidores levarão para o tanque um produto menos poluente, mais econômico e adequado aos motores de última geração.

Uma das principais mudanças diz respeito à definição do valor mínimo para a massa específica, que passa a ser de 715 kg/m³. Com isso, as gasolinas mais leves serão, em breve, descartadas do mercado. Isso é ótimo para os veículos, pois quanto maior a densidade da gasolina, mais potência e rendimento ela gera, resultando em acréscimo de energia e menos consumo no motor.

Além disso, para os falsificadores, será mais difícil adicionar solventes de baixa densidade à gasolina, que diminuíam sua massa e as deixavam mais leves. Nesse novo cenário, o densímetro, aparelho de uso obrigatório nos postos revendedores, será a arma dos motoristas para ajudar a melhorar a qualidade do combustível e combater fraudes.

“O densímetro é um aparelho de vidro, calibrado, que, introduzido no combustível, em uma proveta de 1 litro, determina o valor da massa específica através da escala”, explica Ricardo França, coordenador técnico de combustíveis da Ipiranga.

“Como a nova especificação traz um mínimo de 715 kg/m³ a 20°C, qualquer resultado encontrado abaixo desse valor denota que o combustível está fora das especificações recomendadas pelo órgão regulador”, afirma.

Gilberto Pose, coordenador técnico de combustíveis da Raízen, lembra que, mesmo não existindo uma faixa média definida pela ANP, em geral, as gasolinas encontradas nos postos tinham entre 720 e 750 kg/m³. Segundo ele, esse cenário começou a mudar, por volta de 2016 e, principalmente, em 2018, quando ocorreu “a entrada, no Brasil, de muita gasolina importada, de baixa densidade e de alguns formuladores de combustível”.

“Quando a ANP coloca essa linha divisória, de 715 mínimo, quem historicamente fazia gasolina entre 720 e 750 vai continuar fazendo, sem problema. Quem fazia entre 690, 700, vai ter que se preocupar em atingir esse limite mínimo e até passar um pouco dele”, explica o engenheiro.

Passo a passo: como deve ser usado o densímetro

O funcionário do posto, ou mecânico, deverá usar os seguintes instrumentos:

  • Densímetro de vidro nas escalas 0,700-0,750g/mL, ou 0,750-0,800g/mL;
  • Proveta de 1 L (um litro) limpa e seca;
  • Termômetro de imersão total, tipo “I”, aprovado pelo Inmetro, com escala de -10ºC a 50ºC e subdivisões de 0,2ºC ou 0,5ºC.
  • Tabela de correção das densidades e dos volumes para os derivados de petróleo.

Como é feito:

  1. A proveta deve ser lavada com parte da gasolina coletada. Depois, essa porção é descartada. A proveta é, então, preenchida com um litro da amostra;
  2. Introduz-se o termômetro na amostra;
  3. O densímetro é mergulhado limpo e seco, de forma que flutue livremente, sem tocar o fundo e as paredes da proveta;
  4. Deve-se aguardar alguns minutos para que se estabeleça a estabilidade térmica do conjunto e a posição de equilíbrio do densímetro;
  5. Leituras do densímetro e da temperatura da amostra, com anotação dos resultados; e
  6. Com auxílio da tabela de conversão das densidades e dos volumes, e de acordo com a temperatura da amostra, é feita a conversão do valor encontrado para a massa específica a 20ºC.

Ferramenta contra adulteração

Lembre-se, o uso do aparelho nos postos é obrigatório, ou seja, qualquer consumidor pode pedir a testagem. Ele deve ter um selo de certificação visível e o processo todo de medição leva cerca de cinco minutos. Também é importante observar fatores que possam adulterar os resultados. Por isso, o densímetro deve estar limpo, sem adesivos ou outros objetos colados no vidro.

Para os mecânicos, Pose afirma que a definição da densidade mínima da nova gasolina será de grande utilidade na hora de mostrar aos clientes se o combustível está ou não conforme os padrões. França diz que “a mitigação das fraudes e a coibição da comercialização de gasolinas com massa específica muito baixa” são algumas vantagens do novo combustível.

Contando a partir de 3 de agosto, a ANP deu prazo de 60 dias para a distribuição e 90 dias para a revenda se ajustarem às novas especificações. Assim, até o início de novembro, é possível que ainda ocorram variações na gasolina do mercado.

No vídeo abaixo, Gilberto Pose revela os principais tipos de adulteração na gasolina. Assista!

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