Comércio Irregular

Ipem investe em tecnologia e treinamento para combater fraudes nas bombas

Publicado em 30/10/2018 por Alessandra de Paula

 

Já pensou em pedir para encher o tanque com dez litros, e sair do posto só com oito ou nove litros? Infelizmente, às vezes, o consumidor pode ser lesado pela fraude metrológica, conhecida como bomba fraudada. Tal prática consiste na instalação de dispositivos mecânicos ou eletrônicos nas bombas, que acabam por alterar a quantidade abastecida de combustível no veículo ou o valor cobrado ao consumidor. A boa notícia é que órgãos como o Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (Ipem-SP) têm uma forte atividade de combate às fraudes em bombas de gasolina. João Lima, diretor do Departamento de Metrologia Legal e Fiscalização do Ipem-SP, explica como é realizado o trabalho.

“Somos pioneiros no Brasil no combate a esse tipo de fraude. Montamos em São Paulo um laboratório que é referência para todo o país, produzindo laudos que estão levando ao fechamento de postos fraudadores. Se o fiscal não for treinado, ele não consegue ver a fraude, e nosso papel é fazê-lo identificar o problema”, ressaltou o diretor.

De acordo com o Ipem, de janeiro até maio de 2018, foram fiscalizados 3.835 postos de combustíveis no Estado de São Paulo. Das 44.992 bombas de combustíveis verificadas, 2.737 foram reprovadas. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), os principais problemas que causam dano ao consumidor são a não conformidade na qualidade dos combustíveis e os “vícios” de quantidade, ou seja, quando o consumidor paga, mas não leva a quantidade que pediu.

Fraudes digitais

Laboratório do IPEM-SP é referência no país

E as fraudes evoluem junto com as novas tecnologias, tornando-se mais sofisticadas. De acordo com Lima, a fraude mais comum é a digital. Especialistas em informática violam o lacre da bomba e instalam um microprocessador (chip) que altera o seu giro e, consequentemente, o valor a ser pago. O sistema pode ser acionado à distância, por meio de aplicativos em celulares ou controle remoto.

“Se o fiscal passa no posto uma, dez, 15 vezes, e não identifica a fraude, e a gente consegue provar que ela existe, é porque um ou outro circuito da bomba não foi verificado. Nós estamos dotando os técnicos de conhecimento e equipamentos para combater as irregularidades. As fraudes estão se modernizando, é uma corrida de gato e rato, mas nós estamos correndo junto. O principal perdedor da fraude é o consumidor. A partir do momento que você chega no posto para abastecer 40 litros, e só leva 38, 36 litros, com certeza, você não vai sair satisfeito”, completa Lima.

Por Alessandra de Paula