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Metanol, veneno que pode estar escondido no tanque do seu carro. Confira nova arma da fiscalização e os riscos para saúde e meio ambiente

Publicado em 28/08/2020 por Jean Souza

Dor de cabeça depois de abastecer o carro, cheiro forte de combustível no ambiente e irritação nos olhos. Cuidado, esses sinais indicam que o etanol ou a gasolina do seu carro podem estar adulterados por metanol. A substância química, restrita ao uso industrial, é extremamente perigosa para a saúde e está na mira da fiscalização.

No início deste ano, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou o uso de um novo equipamento, fabricado para detectar a presença do metanol nos combustíveis. A nova tecnologia atendeu aos pedidos das distribuidoras por um instrumento portátil e de fácil manuseio para ajudar nas inspeções junto a revendedores e distribuidores.

Fiscalização da ANP
Foto do aparelho: Divulgação Digimed
Segunda foto: Divulgação ANP 

De acordo com a ANP, o equipamento será mais uma opção para as distribuidoras realizarem testes. Funciona por meio de colorimetria, ou seja, se a amostra coletada estiver misturada a metanol, ela muda de cor após a adição de um reagente. Quanto maior o teor de adulteração, mais escuro fica o líquido testado.

Essa preocupação é explicada não apenas pelo combate à adulteração de combustíveis, mas também pelo grave teor tóxico do metanol. O contato ou sua inalação podem provocar dores de cabeça, queimaduras e até a morte, dependendo do tempo de exposição e tipo de manuseio.

Quais os sinais de intoxicação por metanol?

“Numa contaminação mais baixa, você vai ter algumas dores de cabeça, irritação nos olhos, nas mucosas. Dependendo do que inalar, ingerir acidentalmente, ou absorver pela pele, o metanol pode levar à morte”, explica Carlos Moreira, toxicologista e gerente de projetos da Syrihos, empresa especializada em saúde do trabalhador. Ele reforça que os danos provocados ao nervo óptico podem levar, inclusive, à cegueira.

“O vapor também pode provocar lesões nos pulmões e até no sistema neurológico”, destaca Ricardo Shamá, engenheiro de segurança do trabalho e ex-gerente de operações de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Shell. Atual sócio da TPH Consultoria Ambiental, ele afirma que o metanol tem cheiro mais acentuado que o álcool combustível, “é como se fosse um etanol muito mais forte”. Se misturado com gasolina, ainda “assim é possível sentir odor parecido com álcool, já que o metanol evapora mais rápido que a gasolina”, ressalta.

Fogo invisível

Um dos riscos relacionados ao uso de metanol é o seu alto potencial para queimar e até provocar explosões. Mas um fato curioso é que sua chama é invisível.

“O fogo é transparente, não tem fumaça. A pessoa só sente o calor, nem vê a chama. Esse é um dos grandes problemas”, afirma Moreira.

Como é muito volátil, em qualquer “emissão fugitiva”, como derrame, vazamento líquido ou emissões de vapores, o metanol “poderá atingir pessoas próximas no local e vizinhanças”, alerta Shamá.

O que fazer em caso de intoxicação por metanol?

Uso caseiro

Outro fator preocupante é o uso doméstico de combustíveis. Shamá diz que em áreas periféricas é comum presenciar situações em que etanol ou gasolina são usados como produtos de limpeza. “Às vezes, a pessoa tira gasolina para limpar o motor, as pessoas tiram um pouco de combustível para criar uma iluminação, um candieiro”, afirma.

Segundo o engenheiro, se esses produtos estiverem misturados com metanol, são grandes os riscos à saúde. “Nas áreas mais periféricas das grandes cidades, há manuseio de combustíveis em oficinas, lojas de limpeza, em minifábricas”, completa.

Há poucos meses, o uso doméstico e arriscado de combustível virou até fake news. Uma mensagem falsa relacionada ao coronavírus dizia que o álcool vendido no posto, misturado com água, podia substituir o álcool 70% vendido nas farmácias. A informação foi checada e negada por uma agência de verificação.

Riscos para o meio ambiente e para o carro

Com tantos riscos para a saúde dos motoristas, frentistas ou mecânicos, também é possível imaginar os danos que o metanol provoca ao meio ambiente e aos automóveis.

Em contato com a água dos rios, o produto pode “praticamente matar” a flora aquática, alerta Shamá. No carro, a substância pode reduzir a vida útil do motor, pois o equipamento “não foi feito para ter esse tipo de combustão”, diz o engenheiro. Moreira também chama atenção para o “efeito de corrosão” do produto.

Ambos os especialistas são categóricos ao alertarem sobre os riscos para a vizinhança de postos clandestinos, ou que vendem “gasolina batizada”.

Moreira recomenda “tomar cuidado com preço muito atrativo da gasolina, aquela com preço baixo sempre”. “Não adianta nada uma baita iniciativa de conscientização e as pessoas, por causa da questão econômica, continuarem a abastecer ali. Isso vai incentivar a ‘batizar’ cada vez mais”, critica.

Desconfiou de alguma irregularidade ao abastecer? Denuncie junto à ANP pelo site www.anp.gov.br/faleconosco, ou pelo telefone 0800 970 0267

Confira os principais tipos de adulteração na gasolina

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