Comércio Irregular

Roubo de combustível causa tragédia no México e evidencia o perigo da ação de criminosos

Publicado em 23/01/2019 por Alessandra de Paula

A ação de criminosos que roubam combustíveis causou mais um desastre. Já são mais de 90 mortos e dezenas de feridos na explosão, ocorrida na sexta-feira (18), de um duto de gasolina no México. O acidente foi causado após ladrões perfurarem o duto Tula-Tuxpan, a alguns quilômetros de uma das principais refinarias do país. De acordo com autoridades locais, após a perfuração da tubulação, mais de 800 pessoas se reuniram para encher recipientes de plástico com combustível. Poucas horas depois, o duto explodiu. Essa já é a maior tragédia causada por roubo de combustível no país.

No intuito de endurecer as ações contra as gangues que roubam combustível, o presidente do México, Andrés Manuel Lopez Obrador, lançou em dezembro de 2018 um programa para fechar uma rede ilegal de distribuição, que extrai ao ano cerca de US$ 3 bilhões em combustível da empresa estatal de petróleo Pemex. No entanto, o projeto, que inclui o fechamento de dutos comprometidos pela ação de criminosos, acabou provocando falta de gasolina no país. Desesperadas para encher os tanques dos automóveis, muitas pessoas foram ao local onde se localizava o duto perfurado, aumentando, assim, a proporção da tragédia.

A prática de roubo de combustível no México é conhecida como “huachicoleo” e causa há anos prejuízos bilionários ao país. Estudiosos acreditam que a palavra se origina de “huachicol”, palavra usada no século XX como sinônimo de bebida barata e adulterada. Eleito em 2018, o presidente Andrés Manuel Lopez Obrador tem como uma de suas bandeiras o combate ao “huachicoleo”. Nas primeiras investigações, o novo governo já descobriu uma extensa rede de lavagem de dinheiro, envolvendo políticos, ex-funcionários da estatal Pemex e empresários.

Perfuração de dutos é um problema grave também no Brasil

Um caso recente foi uma tentativa de furto em um oleoduto da Transpetro, ocorrida no dia 8 de dezembro de 2018, provocando o vazamento de 60 mil litros de óleo, atingindo o Rio Estrela, em Magé (RJ), que deságua na Baía de Guanabara. O problema teria sido causado por uma quadrilha especializada em roubos de combustíveis de dutos. Eles perfuraram a parede do tubo e instalaram uma válvula e um mangote para retirada de produto.

Outros casos também mostram como a ação dos criminosos é ousada, e que eles atuam em todo o Brasil. Houve um furto de 960 mil litros de gasolina de um duto na cidade de Mário Campos, interior de Minas Gerais, realizado em março e agosto de 2018 por uma quadrilha com 11 integrantes. O valor do combustível roubado foi de quase R$ 4,7 milhões, vendido a postos ligados à organização criminosa. Já a Operação Água Negra, realizada também em agosto pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, encontrou R$ 48 mil e três válvulas de contenção de líquidos, usadas em roubo de combustível. Em dezembro de 2018, uma quadrilha foi julgada pelo furto de 59 mil litros de combustível de um duto da Petrobras, localizado em Salesópolis, interior de São Paulo, causando um prejuízo de R$ 500 mil.

De acordo com informações da Transpetro, em 2017 foram registradas 227 tentativas de roubo de combustível. Já em 2018, esse número subiu para 261. Distribuidora da Petrobras, a Transpetro tem mais de 7.500 quilômetros de oleodutos no país. Em alguns casos, comunidades estão situadas no entorno dos dutos, em áreas ainda controladas por milícias e traficantes, dificultando a ação preventiva contra os crimes. A perfuração de dutos pode provocar acidentes graves como o ocorrido no México, além de grandes danos ao meio ambiente.

Caso você more perto de alguma faixa de dutos, é muito importante que denuncie qualquer atividade criminosa, ou movimentação suspeita na área. Utilize o Disque Denúncia pelo telefone (21) 2253 1177 (de segunda a sábado, das 7h às 23h30 – exceto feriado), ou pelo aplicativo “Disque Denúncia RJ”. É possível denunciar também pelo telefone 0800 970 0267, da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

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