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Segurança automotiva: confira o que evoluiu na indústria nos últimos 50 anos

Publicado em 28/06/2019 por Antonio Carlos Teixeira

Nós, brasileiros, somos apaixonados por carros, não é mesmo? Mas, o que realmente nos leva a definir a compra de um automóvel? No Brasil, uma das variáveis mais corriqueiras é o preço. Também podemos incluir itens como: montadora, modelo, ano, conforto, potência, tecnologia, design e… segurança! Sim, apesar de não fazer parte das motivações mais primárias dos brasileiros na hora de comprar um carro, a segurança é algo fundamental, e que deve ser incluída na escolha do veículo! O Combustível Legal levantou alguns itens importantes de segurança nos veículos e como a indústria automotiva vem aprimorando seus aspectos para garantir a proteção da vida e a integridade de condutores e passageiros.

Um dos pontos que marca essa evolução nos carros nos últimos 50 anos é referente ao sistema de combustível. O consultor Marcellus Leitão, especialista em automóveis, conta que a adoção do tanque de plástico trouxe mais leveza ao compartimento, tornando-o anticorrosivo e imune a rompimentos em caso de acidente. A evolução também ajudou a reduzir o número de incêndios com a criação de válvulas de contenção para os tanques, que travam a saída de combustível em caso impacto. “Esse é um item de segurança muito importante porque antigamente muitos carros pegavam fogo em acidente. Hoje é raro isso acontecer”, salienta.

Os avanços também chegaram ao nosso velho conhecido cinto de segurança. O primeiro carro equipado com esse dispositivo foi o Tucker Torpedo, em meados da década de 1940. Já o cinto de três pontos – uma evolução que envolve o passageiro a partir de um sistema preso na estrutura do veículo, não no assento – foi desenvolvido em 1959, por Nils Bohlin, da Volvo. Hoje, a tecnologia do cinto de segurança oferece recursos que incluem airbags e pré-tensionadores. Este último aumenta a eficiência da proteção, diminuindo a folga entre o usuário e o cinto no momento da colisão, e “evita o impacto do chicote – que é aquele efeito do corpo ir para frente, bater, voltar e bater o pescoço no banco – e a possibilidade de lesão cervical”, aponta o consultor. Já o isofix é um padrão para assentos infantis, no qual dispositivos de retenção são fixados na própria estrutura do carro em vez de retê-los no cinto de segurança, oferecendo maior firmeza e proteção para crianças, em caso de colisão.

A rigidez e o peso dos carros também foram atenuados por questões de segurança. “Os veículos de 50 anos atrás tinham muito mais aço, eram mais pesados, mais robustos”, diz Leitão. “Os carros agora são construídos com aços de vários tipos: nas áreas mais sensíveis, como colunas de portas, aços mais resistentes; em outras partes, mais leves”, detalha o consultor.

A substituição do chassi pelo monobloco ajudou ainda mais os carros a absorverem melhor o impacto e a dissipá-lo na carroceria. O “emagrecimento” e a maior leveza dos carros foram sendo alcançados, também, graças à introdução de componentes feitos de plástico, que acabaram por favorecer inclusive a economia de combustível. De acordo com o especialista, a mudança no conceito de estrutura do carro, de rígido para “deformável”, foi um dos fatores importantes para reduzir os riscos de mortes e de lesões nos ocupantes em acidentes.

Airbag: obrigatório por lei

O primeiro airbag foi instalado no Mercedes-Benz Class S, em 1980. Dispostos em partes estratégicas dos veículos (frontal, laterais, traseira dos bancos, teto, etc.), os airbags são um sistema de segurança suplementar, junto com o cinto de segurança. “Houve uma melhora notável na proteção aos ocupantes do carro”, diz Leitão. No Brasil, o airbag de bolsa dupla frontal é item de segurança obrigatório por lei em todos os carros fabricados no país desde 2014.

Um dos principais (e imprescindíveis) mecanismos de segurança, os freios receberam a sua primeira evolução tecnológica em 1921, com o lançamento do Model A, da Duesenberg Automobile & Motors Company, dos Estados Unidos. O modelo trazia um sistema de freio hidráulico, com tambores nas quatro rodas, desbancando o acionamento por meio de cabos.

A partir de 1948, os freios a disco, popularizados pela montadora norte-americana Crosley Corporation, supriram a deficiência da dissipação de calor (maior no sistema de tambores), mas eram muito barulhentos por causa da fricção das engrenagens de ferro durante o acionamento da desaceleração, uma vez que as pastilhas ainda não eram revestidas com amianto.

Os freios ABS (do alemão Antiblockier-Bremssystem ou Anti-lock Braking System, em inglês) foram desenvolvidos pela Bosh e incluídos pela primeira vez no Mercedes-Benz Class S, em 1978. Criado para evitar o descontrole e bloqueio das rodas e o derrapamento do carro em caso de acionamento brusco do freio.  “A vantagem do ABS é justamente essa: o condutor permanece com o controle no volante no momento da frenagem forte, de emergência”, avalia o consultor.

Melhorias na iluminação e controle de estabilidade

Os faróis também mudaram: mais iluminação e menos riscos em casos de atropelamento. Isso porque o vidro deu lugar ao policarbonato, material que, segundo Leitão, evita os cortes e lesões sérias nesse tipo de acidente. Além disso, os faróis hoje são mais possantes, com lâmpadas com maior definição de espectro.

Já o controle eletrônico de estabilidade evita derrapagens em curvas, desvios de trajetória e que o motorista perca o controle do veículo. Sensores instalados em locais estratégicos para captação de dados, como rodas, direção e motor, ajudam a detectar situações incomuns de direção, como entradas abruptas em curvas, ou mudança repentina de faixa, corrigindo imediatamente a rota, reduzindo o torque e a frenagem de uma das laterais das rodas.

Ainda no campo do auxílio à direção, um dos itens mais recentes de segurança é o assistente de frenagem, que já existente em diversos modelos vendidos no Brasil. Ele é utilizado para frear de forma involuntária, ou reduzir a velocidade de acordo com o veículo à frente; monitoramento do tráfego, por meio de câmeras e sensores; e controle automático de distância e velocidade. Além disso, o recurso serve para alertar contra colisão e detectar pedestres via sensor de radar, ligar alertas sonoros em caso de risco de colisão e fazer frenagens automáticas para evitar acidentes.

Outras tecnologias voltadas para ajudar o condutor são sistemas antissono, sensores que apontam desvios de trajetória indesejados. “Em grandes retas, se o carro começar a deixar a pista, o sensor avisa, por meio de sinal luminoso (uma xícara de café no painel), ou alerta sonoro, que o motorista tem que parar e recuperar a sua condição de dirigir”, diz Leitão. Somado a isso, barras de proteção laterais, feitas em aço mais rígido que o da carroceria, protegem contra colisões em “T” (quando a frente de um veículo atinge a lateral de outro).