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Vale a pena instalar GNV? As vantagens e desvantagens do kit gás

Publicado em 05/04/2019 por Redação

Em 1991, a história do GNV, nosso conhecido Gás Natural Veicular, deu uma guinada. Utilizado até então somente em ônibus municipais, o primeiro carro a receber um kit a gás foi um Chevrolet Opala de quatro cilindros. Desde então, a frota cresceu para nada menos do que 2.2 milhões de veículos em todo o país, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) e do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Apenas em 2018, foram mais de 178 mil conversões, um aumento de 59% em relação a 2017, e hoje, motivado pelo desconto no IPVA, baixo preço do GNV e crescente tributação sobre a gasolina e o etanol, ainda é possível prever um crescimento para os próximos anos.

Mas é preciso cautela. A variação de preço do GNV ainda é alta entre os estados. Só no Rio de Janeiro, o produto subiu 23,2% em 2018. Em São Paulo, em fevereiro de 2019, o preço do Gás Natural Veicular ficou 40,1% mais caro. E como é de conhecimento geral, a presença do cilindro pode comprometer um espaço importante no porta-malas. Gilberto Pose, especialista em combustíveis da Raízen (licenciada da marca Shell no Brasil), explica que há vantagens e desvantagens que o motorista deve estar atento.

O grande atrativo do GNV hoje ainda é o seu preço. Segundo estimativas da Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), um motorista pode economizar pelo menos 56% com a instalação do kit gás. No entanto, é importante que ele esteja atento à disponibilidade do combustível na sua região. “Quem quiser fazer uma viagem pelo litoral brasileiro, em termos de oferta na costa do Brasil, o GNV não é constante”, explica Gilberto Pose.

De olho na manutenção do carro

Com relação ao veículo, dependendo da capacidade do cilindro, ele pode pesar na faixa dos 60 quilos. Sendo assim, é recomendado que se faça um reforço na suspensão traseira, com a troca das molas originais por outras reforçadas. Além disso, o GNV pode causar maior desgaste em outros componentes do veículo, como as velas de ignição, cabos de vela e filtro de ar. O óleo também deve ser verificado com maior frequência.

No caso dos bicos injetores, para evitar um maior desgaste e mantê-los lubrificados, sempre que sair com o veículo, é recomendado trafegar no álcool ou na gasolina por aproximadamente um quilômetro. Esse procedimento deve ser realizado duas vezes: na primeira saída com o veículo e, depois, antes de guardá-lo na garagem.

Outro ponto que deve ser levado em consideração na hora de optar pela conversão é que o GNV reduz a força do motor. Sendo assim, carros com menor potência, como os modelos 1.0, por exemplo, podem sofrer sensivelmente nesse quesito. No país, são comercializados dois tipos diferentes de kit gás: o de terceira geração, que causa uma redução de potência de até 15%; e o de quinta geração, no qual até 5% de força é perdida.

Atenção à segurança

Como a segurança deve estar sempre em primeiro lugar, o proprietário deve buscar uma oficina credenciada. A instalação do kit gás é cara, gira em torno de R$ 3 mil a R$ 5 mil, dependendo da geração do kit e do tamanho do cilindro que será instalado. Nesse aspecto, o motorista não deve buscar economizar. “Procurar um lugar mais barato, que não seja credenciado, coloca em risco o dono do carro, seus familiares e as pessoas que estão ao seu redor. É comum ver na mídia casos de veículos com kits gás instalados de forma irregular, que causam graves acidentes durante o abastecimento”, alerta Pose.

Ainda nesse contexto, é importante lembrar que, todo ano, antes de fazer o licenciamento, carros com GNV devem passar por uma vistoria específica para verificar o funcionamento do sistema, mesmo procedimento que é realizado depois da conversão. Esse trabalho é executado por laboratórios credenciados e o preço do laudo pode variar de local para local. Nessa vistoria, outros detalhes do carro também são analisados, incluindo pneus, estepe, luzes e freios. Por último, a cada cinco anos, os cilindros de GNV precisam passar por um teste para verificar as suas condições.

E lembre-se, caso opte por converter o seu veículo para o GNV, consulte antes a sua corretora de seguros, já que a instalação do kit gás pode fazer com que o preço da apólice aumente.

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